A Charcutaria nasceu de um balcão. A casa começou como uma charcutaria de bairro, em Campo de Ourique, e foi aí que Manuel Martins decidiu que o produto bem escolhido merecia ir mais longe do que a montra.
Tinha passado cerca de trinta anos no Alentejo, em Mourão, e deixado uma carreira na banca para se dedicar à casa da família. Guardou duas coisas, o Alentejo e a tradição daquele balcão, e à volta delas construiu a cozinha. É ele quem escolhe os produtos.
Em março de 2013, A Charcutaria mudou-se para a Rua do Alecrim, no Chiado, descendo para o Cais do Sodré. A sala junta a pedra com duzentos anos do edifício a um interior contemporâneo e sereno, com uma vista sobre os telhados setecentistas que descem em direção ao rio. É uma casa pequena, de cerca de sessenta lugares, pensada para se comer com tempo.
A cozinha é portuguesa de raiz alentejana. As empadas são a assinatura, a perdiz, o frango, as mini-empadas para começar. A par delas, a sopa de cação, o bacalhau, o polvo grelhado com batatas a murro, os secretos com migas, e as doçarias conventuais do Alentejo, a encharcada, o pão de rala, o fidalgo.